sexta-feira, 25 de junho de 2010

A EPÍSTOLA AOS COLOSSENSES – UMA INTRODUÇÃO

Pr Luciano R. Peterlevitz

1. A IGREJA
Paulo escreve à Igreja localizada na cidade de Colosso. Esta era uma cidade muito importante da Ásia Menor, mas no ano 61 a.C., ela foi desolada por um terremoto e perdeu seu prestígio. Por isso, alguns acreditam que a Igreja de Colossos era a mais insignificante Igreja do Novo Testamento. Entretanto, àquela Igreja, Paulo encaminhou um dos mais belos textos cristológicos do Novo Testamento (1.13-20).
O Evangelho se tornou conhecido em Colosso através de Epafras, morador da cidade (1.7; 4.12). Paulo não conhecia pessoalmente os colossenses (1.4; 2.1), e obteve as informações sobre a Igreja através de uma visita que Epafras fez-lhe na prisão (Fm 23). A epístola aos colossenses foi enviada por “Tíquico, irmão amado, fiel ministro e conservo no Senhor” (4.7).

2. AUTOR E ÉPOCA
Juntamente com Filipenses, Efésios e Filemon, a epístola aos Colossenses foi escrita por Paulo (1.1), na ocasião de sua prisão em Roma (4.18), entre os anos 60 e 61 d.C.

3. O PERIGO DAS HERESIAS
Na epístola aos Colossenses, Paulo combate duas heresias: o gnosticismo e o cerimonialismo judaico. Nos primeiros séculos do cristianismo, esses dois falsos ensinos estiveram bastante entrelaçados.

O gnosticismo
2.8: “filosofias e sutilezas vazias”.
Gnosticismo: do grego gnosis, “conhecimento”. É um conjunto de crenças filosófico-religiosas, uma mistura entre: alguns conceitos da antiga filosofia grega, judaísmo, religiões egípcias e babilônicas, astrologia e cristianismo. Não se trata de um conhecimento teórico, mas de um conhecimento místico, através do qual o homem encontra a centelha divina de sua natureza, reencontra-se a si mesmo e seu significado no mundo.
De forma geral, os gnósticos acreditavam que o Universo originou-se a partir das emanações do Absoluto. Essas emanações eram chamadas de éons, que são partes e manifestações do Uno. O sofrimento e angústia podem ser explicados a partir da divisão do Uno nessas partes. O mundo material foi criado por Demiurgo (“artesão”, em grego), filho de um dos éons, Sophia.
Os gnósticos desenvolveram uma visão bastante radical entre mundo espiritual e mundo material. Eram dualistas. Acreditavam que existiam doze éons. Cristo seria um décimo terceiro, um espírito que se ergueu em meio às trevas para transmitir um conhecimento secreto (gnósis), através do qual os espíritos seriam redimidos do mundo material mau, e elevados para uma dimensão espiritual, para o mundo da luz, o mundo espiritual. Assim, algumas correntes do gnosticismo negavam a humanidade Cristo. Para eles, Cristo era um espírito incorpóreo, que temporariamente habitou no homem Jesus. Nessa linha de pensamento, possivelmente esteja o docetismo (do grego dokéu, ‘parecer’), uma das ramificações do gnosticismo. O docetismo era uma doutrina que negava a humanidade de Cristo. Dizia que Cristo simplesmente “parecia” homem, mas não era. Nesse cenário devem ser compreendidos os escritos de João, que afirma que aquele que não reconhece que Jesus veio em carne não é de Deus (1Jo 4.3).
O gnosticismo floresceu no 2º séc. d.C., mas já havia um embrião de suas doutrinas nos primeiros anos do cristianismo. De modo que a cristologia (doutrina de Cristo), encontrada na epístola de Paulo aos Colossenses, é uma resposta às heresias de cunho gnóstico.
Na atualidade, os conceitos gnósticos ainda sobrevivem no esoterismo, na Nova Era e no espiritismo. Mas o conhecimento divino não vem a partir de um exercício místico. A Bíblia condena o “conhecimento carnal” (2.18). Pois todo “mistério de Deus” já foi revelado em Cristo (2.2-4).

O cerimonialismo judaico
Os judaizantes defendiam a circuncisão (2.11; 3.11) e um rigoroso ascetismo (2.21). Enfatizavam regras alimentares e a guarda de festas religiosas (2.16-17).
De forma geral, os conceitos judaicos se misturaram com as idéias gnósticas. Os anjos eram seres identificados com as forças cósmicas (éons), que regiam o Universo: 2.18. O ascetismo era uma forma de alcançar a libertação do corpo, pois negava ao corpo não só os prazeres, mas as necessidades elementares. Isso era uma “severidade para com o corpo” (2.23). Mas o ascetismo não passa de “doutrinas dos homens” (2.22) e de “falsa devoção” (2.23).
A esse ascetismo, contrapõe-se outro ponto de vista da maldade da matéria: a licenciosidade. Segundo essa idéia, o espírito não é afetado pela carne. Possivelmente seja essa a heresia que Paulo combate em 1Coríntios (1Co 6).

4. ESBOÇO
Seguimos o esboço da Bíblia de Estudo Almeida :
Prólogo (1.1-8)
1. A excelência da pessoa e a suficiência da obra de Cristo (1.9-23)
2. O ministério de Paulo (1.24—2.5)
3. Advertência contra falsos mestres (2.6—3.4)
4. A nova vida em Cristo (3.5—4.6)
Epílogo (4.7-18)

5. OS ENSINOS DA EPÍSTOLA
A preeminência de Cristo
Cristo é a imagem do Deus invisível: 1.15; 2.9.
Cristo é o criador de todo o Universo: 1.15b-16
Cristo é o sustentador de todo o Universo: 1.17
Cristo é o cabeça da Igreja: 1.18
Cristo é o primeiro a ser ressurreto: 1.18
Contrariando as concepções gnósticas, que reduziam Cristo a uma das emanações do Deus Absoluto, Paulo afirma que Cristo é o próprio Deus encarnado, Único Criador de todas as coisas. Ele é a imagem exata do ser de Deus (Hb 1.3). Se Cristo é criatura, torna-se insólida a afirmação bíblica de que todas as coisas foram criadas por meio Dele e para Ele (1.16). Mas, na verdade, Cristo não é criatura. É Criador! Sem Ele, nada do que existe teria sido feito (Jo 1.3).
Cristo é o “primogênito” de toda a criação, não no sentido Dele ser a primeira criatura criada, mas sim, no sentido de que Ele está acima de toda a criação: “Ele está acima de todas as coisas” (1.17).
Em Cristo “habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (2.9). Para os mestres gnósticos, a plenitude (grego pleroma) era o conjunto de todos os espíritos cósmicos (éons). Mas toda a plenitude de Deus está em Cristo.


A obra de Cristo
O ser humano não é liberto por ritos, nem por um conhecimento místico. O ser humano é liberto tão somente pela obra consumada de Cristo. Jesus é a plenitude de Deus, e compartilha a plenitude conosco (2.10).
Fomos reconciliados por Cristo: 1.21-23. Não fomos reconciliados com Deus por um espírito desnudo, mas mediante Cristo, “no corpo de sua carne” (1.22).
Fomos sepultados e ressuscitados com Cristo: 2.11-13. A tradução da ARA do v.11 parece transmitir melhor o sentido do texto: Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo. Há uma nota da Bíblia de Jerusalém, sobre esse verso: “A circuncisão retirava apenas um pedaço do tecido”. A circuncisão física era uma obra parcial: removia somente o prepúcio. Mas a circuncisão de Cristo é completa: remove todo o “corpo da carne” (“carne” é uma referência à natureza pecaminosa). Essa idéia é desenvolvida em 3.1-11.
Fomos perdoados por Deus: 2.13-14. O “escrito de dívida” era a cédula da Lei, que nos condenava. Na cruz, Deus não só pregou seu Filho, mas também o registro documental de nossa dívida, a sentença de nossa condenação.

As implicações da obra de Cristo para o viver cotidiano
A obra de Cristo na cruz tem implicações práticas. Não se trata somente de uma doutrina. É isso que Paulo mostra em 3.5 – 4.6.
Se em 3.1-4 Paulo alude à nossa união com Cristo, a partir de 3.5 ele desenvolve as conseqüências dessa união (“pois”, v.5):
A santificação como resultado de nossa união com Cristo: 3.5-11
A comunhão fraternal como resultado de nossa união com Cristo: 3.12-17
O bom trato com a família como resultado de nossa união com Cristo: 3.18 – 4.1
A oração e a prudência como resultados de nossa união com Cristo: 4.2-6.

3 comentários:

  1. Pr. luciano, que Deus continue a abençoa-lo recamente, pois o sr, é um homem de Deus.
    ATT Erivaldo . Ftbc.

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  2. Muito bom cara, muito prático e conservador!

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