segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

UMA IGREJA SOLIDÁRIA


Pr Luciano R. Peterlevitz – Missão Batista Vida Nova, 30/01/2011

Leia Atos 2.42-47 e 4.32-37


Introdução

Atos 2: o Pentecostes. Cinqüenta dias após a Páscoa. Derramamento do Espírito sobre os discípulos. Início da comunidade cristã.

Atos 2 é o reverso de Genesis 11. Gn 11: torre de Babel. Dispersão das nações. O egoísmo e a violência prevalecem. At 2: ajuntamento das nações. A solidariedade prevalece.

Quais as marcas de uma Igreja solidária?

1. Uma comunidade solidária compartilha oração

Os cristãos primitivos perseveravam na oração: At 2.42.

A oração é um exercício que nos capacita a vencer o egoísmo. Porque somos desafiados a colocar o pedido dos outros em nossa bagagem. Assim, dividimos um mesmo fardo. Veja 1Ts 5.25 e Tg 5.16.

Desafio: ore por alguém essa semana.

Que a minha vida de oração não seja uma conversa privativa entre mim e Deus, uma espécie de cabine telefônica.

2. Uma comunidade solidária compartilha os bens

A Igreja é uma comunidade de partilha. Partilha do pão: At 2.46. A Ceia do Senhor é uma socialização do alimento.

Partilha de bens: ‘mas tudo era compartilhado por todos`- At 4.32. Na Igreja Primitiva não havia necessitados: 4.34. Veja Dt 15.4.

Isso é uma afronta à nossa sociedade egoísta. Pois a lógica do egoísmo diz que se há um pedaço de pão, este é meu, se há um copo de água, este é meu, se há um prato de comida, este é meu. Quanto mais escasso o recurso, o egoísmo tende a imperar.

No meio cristão também existe o perigo do individualismo.

3. Uma comunidade solidária louva a Deus e conta com o favor do povo

A comunidade cristã louva a Deus, mas não fecha os olhos para as necessidades dos outros. De fato, a Igreja Primitiva “contava com o favor (simpatia) de todo o povo” (At 2.47a).

Deus não aceita um louvor egoísta.

4. Uma comunidade solidária atrai a atenção da multidão

O Senhor acrescentava pessoas à comunidade solidária: At 2.47b. O livro de Atos não descreve uma comunidade que busca desenfreadamente um crescimento numérico.

Na comunidade cristã o crescimento é resultado de sua qualidade. E qual é sua principal qualidade? A unidade fundamentada na solidariedade.

Jo 17.21: a unidade é o imã que atrai a atenção do mundo.

Jesus, o Filho, foi enviado ao mundo pelo Pai. Jo 17.10: tudo que é do Pai pertence ao Filho, e tudo que pertence ao Filho pertence ao Pai. O Pai e o Filho são Um.

Da mesma forma, Jesus enviou os discípulos ao mundo: Jo 17.18. E a marca dessa comunidade de discípulos é a unidade. O Pai compartilha de Si com o Filho, e Filho compartilha de Si com o Pai. O Pai e o Filho compartilham o Espírito com os discípulos (Jo 14.16). A Trindade compartilha de Si com os discípulos. E cada discípulo compartilha de si com os outros. Portanto, o cimento da unidade é a partilha. Mas também a partilha é o imã. É o que atrai outras pessoas.

Conclusão

Deus compartilha conosco o que tem de melhor. Será que nós temos compartilhado o que temos de melhor com os outros?

O que acontece quando o Espírito é derramado? A multidão é transformada em comunidade.

Atos descreve uma comunidade de partilha. É isso que devemos ser. É aquilo que Deus nos faz ser, pelo seu Espírito derramado sobre nós.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O JUSTO VIVERÁ PELA FÉ


Luciano R. Peterlevitz


Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego;
visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.
(Almeida Revista e Atualizada). Romanos 1:16-17


INTRODUÇÃO

Martinho Lutero foi profundamente influenciado por este texto bíblico. O monge tinha sua alma abatida pela terrível dúvida sobre a justiça de Deus, a qual ele entendia como a punição dos ímpios. Mas a vida de Lutero foi completamente transformada quando ele descobriu que a justiça de Deus, na epístola de Paulo aos Romanos, é a salvação gratuita, pela graça, mediante a fé.

Desejo que a mesma mensagem que transformou a vida de Lutero transforme também a sua vida.

Como é fantástica a mensagem do Evangelho! No dizer da Escritura, o Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. A palavra grega euaggelion significa mensagem. É um termo técnico para mensagem de vitória. A mensagem do Evangelho é a declaração de que Cristo venceu, e que por isso, através de Jesus, através do poder dEle, você também pode vencer. Toda a sua existência depende dessa afirmação.

Convido-o a refletir sobre a justificação pela fé. Para tal, falaremos primeiramente sobre os injustos. Depois, sobre os justos. E finalmente, sobre a fé.


1. OS INJUSTOS

Deus não justifica justos

“O justo viverá pela fé”. Antes de entendermos tal declaração, é preciso afirmar que, segundo a Escritura, não existe um justo sequer diante de Deus: Rm 3.10.

Todos pecaram, e destituídos estão da glória de Deus: Rm 3.23.

Qual a diferença entre nós e um criminoso? Diante da justiça de Deus, nenhuma. Explico.

Diante da ética e dos princípios normativos, há muita diferença entre um criminoso e uma pessoa inocente, que não pratica a criminalidade, roubo, corrupção ou qualquer outro desvio ético.

A justiça dos homens é bem exigente. Matou? Então tem que morrer. Abusou de crianças? Tem que pagar? É corrupto? Cadeia nele! Realmente os valores que prezam pela justiça social são muito válidos e necessários. Certamente o próprio Deus exige tais valores, conforme lemos nos Dez Mandamentos.

Mas a justiça de Deus é bem mais exigente do que a justiça dos homens. Por que? Ora, porque nós acreditamos que existem ‘graus’ de pecado. Acreditamos que matar é bem pior do que mentir. Acreditamos que adulterar é incomparavelmente pior do que simplesmente cobiçar algo ou alguém que não nos pertence. De modo que os infratores devem ser tratados de acordo com o ‘grau’ da criminalidade que cometeram. Repito: tais valores são fundamentais para a ética cristã e para a boa convivência na sociedade.

Mas, também repito, a justiça de Deus é mais exigente do que a justiça humana. Porque para Deus não existem ‘graus’ de pecado. Para Deus, todo pecado gera a morte. Aliais, em Rm 6.23, não lemos sobre “pecados” (plural) que mereçam a morte, mas sim, pecado, cujo salário é a morte.

Você pode guardar fielmente a lei de Deus. Mas se tropeçar “em um só ponto, torna-se culpado de todos” (Tg 2.10).

Portanto, Cristo morreu pelos ímpios. De acordo com a justiça de Deus, todos nós somos ímpios. Então Jesus não morreu por crentes, mas por incrédulos. Ele não morreu por santos, mas por pecadores. Cristo morreu por nós quando éramos fracos, incapazes de fazer qualquer coisa por nosso pecado. Aqueles que não crêem nisso não têm enfermidade da alma. Mas Jesus não veio para os sãos, mas para os doentes. Por isso, Deus não justifica justos.

Por isso, meu caro, jogue fora seu senso de justiça. Pois a justiça de Deus exige a morte de todos. Pois todos pecaram. Diante da justiça divina, não há um justo sequer. Mas graças a Deus que a justificação não é para justos, mas para injustos.


2. OS JUSTOS

Os justos, aqui em Rm 1.17, não são aqueles que praticam atos de justiça.

Saiba: Nossas obras são trapos de imundícia diante de Deus: Is 64.6. Assim, estão completamente equivocados aqueles que, por cumprirem seus deveres, colocam Deus sob a obrigação de levá-los ao céu.

Entendamos um pouco mais a justiça de Deus.

“Justiça”: é o estado de perfeição que Deus requer de todos que se comparecem diante dEle. Acontece que nenhum de nós tem tal perfeição. Daí a necessidade da justificação.

A justificação é uma declaração de justiça. Justificação pode ser definida como o ato em que Deus nos declara justos. Deus nos declara justos antes de nos tornar justos. Deus não justifica justos, mas coloca sobre os injustos a Sua justiça. Essa justiça é concedida gratuitamente por Cristo, que assumiu nossa injustiça e coloca sobre nós a Sua justiça. Assim, Deus não olha mais para nosso pecado ou injustiça, mas sim para o sangue de Cristo que está sobre nós. É o sangue de Cristo que nos purificada de todo o nosso pecado, e nos torna justos diante de Deus.

Deus requer de nós uma justiça que seja igual à Sua justiça. Mas não temos tal justiça. Então, Ele outorga tal justiça pelos méritos de Jesus Cristo. Alguém já disse acertadamente que a justificação de Deus é a justificação justa do injusto através da qual Ele demonstra a sua justiça ao mesmo tempo que nos confere justiça.

Assim, a Bíblia afirma que Deus é “justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3.26).

Ilustremos isso. Um homem bateu à porta de uma senhora pobre, com o intuito de ajudá-la. Ela, pensando que seria alguém que lhe cobraria o aluguel, se escondeu. Assim também, Cristo bate à sua porta com as mãos que foram crucificadas por você. Mesmo que você tenha uma dívida para com Deus, Cristo não bate à porta para lhe julgar. Mas Ele bate à porta para lhe oferecer o Pão da vida.

A salvação é pela graça, livre, gratuita, sem dinheiro. O único que tinha o direito de julgar é o Juiz, e Ele já propôs sua absolvição inteiramente de graça pela morte do seu Filho.

Os justos que vivem pela fé são aqueles que receberam a justiça de Cristo. Por isso, ninguém pode mais condenar os que estão em Cristo Jesus: Rm 8.1. O Diabo é o acusador, mas ele não pode mais nos acusar. Nossa consciência não pode mais nos acusar. Ninguém pode mais nos acusar. Porque Deus, o único que tinha o direito de nos condenar, enviou seu Filho para morrer por nós, e sobre nós coloca a justiça do Seu Filho que nos torna aceitáveis para Ele mesmo.


3. A FÉ

O justo viverá pela fé.

Fé é crer que Deus pode justificar o pior dos pecadores.

Fé é crer que Deus pode condenar ao inferno por causa do pecado, sem considerar diferentes graus de pecado.

Fé é crer que o salário do pecado já foi pago por Cristo. Pensemos um pouco mais nisso.

Fé é crer que o sacrifico de Cristo é suficiente para a salvação

A fé é simplesmente crer que somente e tão somente o sacrifício de Cristo é capaz de nos salvar.

Isso realmente exige fé. Pois você é convidado para jogar fora qualquer esforço para conseguir a salvação por seus próprios méritos.

Fé é crer que o sacrifício de Cristo é perfeito para a salvação

O ser humano sempre tenta melhorar um pouquinho aquilo que Deus já fez de forma perfeita. Mas o sacrifício de Cristo é perfeito. Não precisa ser melhorado.

Fé é crer que o sacrifício de Cristo foi único. Não é preciso outro sacrifício. Cristo morreu de uma vez por todas: Hb 9.11-12.

Charles Spurgeon compara a salvação pela graça com uma criança a qual você oferece uma fruta. Ela estende a mão para recebê-la porque você a mostrou e prometeu-lhe dar. “Aquilo que a mão da criança é para a fruta é a sua fé para a salvação perfeita de Cristo. A mão da criança não faz a fruta, nem a melhora, nem a merece, toma-a simplesmente.”

Fé é crer que a obra de Cristo é a base da salvação

A base da nossa salvação é a obra consumada de Cristo.

Há uma história que ilustra isso. Um homem morreu e foi para o céu. Perguntou-lhe o anjo: porque devo deixar você entrar aqui? A resposta correta: porque Cristo morreu por mim.

Lembremos que somos salvos pela graça. Então, a fé não é a causa da salvação, mas o meio pelo qual nos apropriamos dela. Somos salvos pela graça de Deus, mediante a fé em Cristo: Ef 2.8.

Fé é a mão vazia, o meio pelo qual se recebe a graça de graça. Para você receber essa graça é necessário esvaziar a mão. Se a mão estiver cheia, é impossível receber o presente de Deus. Fé é o esvaziar-se do eu.

Calvino dizia que a fé é um vaso: “a menos que esvaziemos e abramos a boca da alma para a graça de Cristo, não seremos capazes de recebê-lo.”

Spurgeon dizia: “Um servo idiota que é chamado para abrir uma porta mete os ombros nela e empurra-a com toda a sua força, mas a porta não se mexe e ele não pode entrar apesar de todo o seu esforço. Outro vem e com uma chave e facilmente abre a porte e logo entra. Aqueles que desejam salvar-se pelas obras, estão empurrando a porta do céu sem resultado. Fé é a chave que abre de uma vez.”

Você não precisa fazer por Cristo aquilo que ele já fez por você. Se Jesus já morreu por você, se Ele já pagou o preço, isso significa que Ele fez por você o que você não seria capaz de fazer. O que lhe resta? A fé.


CONCLUSÃO

Cristo nos tornou como nós, pecadores, para nos transformar como Ele, Santo. Ele assumiu a nossa injustiça para tornar-nos justos. Fez-se o que não era para nos tornar o que não somos. Ele mesmo assumiu nossa injustiça para que nos tornássemos justos. Por isso, o Evangelho é o poder de Deus para todo aquele que Nele crê. Basta crer.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

EU SOU O SENHOR


Pr Luciano R. Peterlevitz – Missão Batista Vida Nova, 02/01/2011

Leia Êxodo 6.2-9

Lemos em Êxodo 3 que Moises pastoreava o rebanho do seu sogro Jetro, quando foi chamado por Deus para libertar Israel do Egito. Naquela ocasião, Moisés desculpou-se diante de Deus: Quem sou eu para tamanha tarefa? O Senhor respondeu-lhe: Certamente eu serei contigo. Depois, mais uma vez Moisés esquivou-se do chamado, dizendo a Deus: Se os israelitas perguntarem por Seu nome, o que direi? Então Deus respondeu a Moisés: “Eu Sou o que Sou. Assim responderás aos israelitas: Eu Sou me a enviou a vós.” (Ex 3.14).

Depois de uma tentativa frustrada de falar ao povo de Israel (5.20-23), Deus se manifesta novamente a Moisés, aqui em Ex 6.2-8. Ao contrário de Ex 3.14, agora Deus afirma claramente o seu nome: “Eu sou o Senhor”.

Eu Sou o que Sou. Eu sou o Senhor. É assim que Deus se apresenta para um povo escravo. Vejamos. Detenhamo-nos em Ex 6.2-8.

Uma nova revelação do nome divino - Javé, o Deus Libertador

V.3: “Todo Poderoso”: El Shadday. Abraão, Isaque e Jacó não conheceram Deus como Javé, o Deus Libertador. Aos patriarcas, Deus mostrou-se como El Shadday. Este nome divino mantém relação etimológica com shadayim, “peitos”, “fertilidade” (cf. Gn 49.25). Em Gn 17, ocasião em que Deus promete para Abraão uma descendência numerosa, Ele se apresenta como El Shaday (Gn 17.1). A esterilidade de Sarai seria transformada em fertilidade. Para os patriarcas, Deus é o Deus da fertilidade. Mas a partir de Moisés, Ele se mostraria com outro nome. É assim que Ele se apresenta para Moisés. Portanto, o êxodo constitui-se um novo estágio na revelação bíblica. A partir do êxodo, Deus tem uma nova forma de se apresentar.

V.2: “Eu sou o Senhor”. Essa é a declaração central do Êxodo (6.2, 6, 8). O nome “Senhor”, aqui, é o nome sagrado, chamado também de tetragrama sagrado: YHWH. Um determinado partido religioso arroga-se no direito de afirmar que a pronúncia do nome sagrado de Deus é Jeová. Entretanto, nem mesmo os judeus mais ortodoxos sabem a verdadeira pronúncia do nome. Pois, para não tomar o nome de Deus em vão, após o exílio babilônico (século 6º a.C.) os judeus deixaram de pronunciar o nome sagrado. Em lugar de YHWH, eles pronunciam Adonai. Hoje, mesmo equivocadamente, pode-se ler Javé ou Iavé.

Mas, o mais importante não é a pronúncia do nome sagrado, mas seu significado teológico. “Eu Sou o que Sou’, disse Deus para Moisés (Ex 3.14-15). O nome YHWH é a contratação de ‘eyehyeh asher ‘eyehyeh, “Eu Sou o que Sou”. Esse nome não alude à auto-existência de Deus, como presumem alguns teólogos. De fato, Deus é Auto-Existe. Mas não é esse o significado do nome sagrado, no contexto do Êxodo. Pois, a rigor, Javé não é nome próprio, mas uma ação verbal. O verbo “ser”, na língua hebraica (hyh), é melhor traduzido por “acontecer”. Portanto Javé se apresenta como o Deus que age, o Deus que faz acontecer. Na verdade, inicialmente Ele não revela seu nome (Ex 3.14), mas revela seu atributo histórico. Ele é o Deus que age. Javé é o Deus do êxodo. É o Deus que se apresenta por uma forma verbal. É o Deus da ação. É o Deus que intervém na história do povo pobre e oprimido.

A aliança com Abraão, Isaque e Jacó

V.4: “Estabeleci a minha a aliança com eles”. Deus fez uma aliança com Abraão (Gn 15). É preciso, pois, aproximar Ex 6 de Gn 15. Em Gênesis, Abraão duvidava das promessas. Então o Senhor ordenou a Abraão: traga uma novilha, uma cabra, um carneiro (todos três anos), e uma rolinha e um pombinho. No Antigo Oriente, animais cortados ao meio ritualizam um pacto (Jr 34.18). Os contraentes passavam por entre as partes dos animais mortos. Símbolo: se um dos contraentes descumprisse o pacto, sofreria o mesmo destino do animal morto. Mas, em Gn 15, só Deus passa entre as metades dos animais! Caso os descendentes de Abraão descumprissem a aliança, Ele mesmo assumiria sobre Si o prejuízo. Ele estabeleceu a aliança com Abraão. E, naquele contexto, prometeu a descida da família de Abraão para o Egito, onde permaneceria escrava por 400 anos, mas depois seria liberta (Gn 15.13-16).

“Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, o Deus de Jacó.” É o Deus que passou por entre as partes dos animais. É Deus que se comprometeu a visitar Israel no Egito. “Eu sou”, diz o Senhor.

A páscoa judaica e a páscoa cristã

Finalmente acontece o êxodo do Egito (Êx 12). Numa tarde do décimo quarto dia do primeiro mês (marco-abril), as famílias israelitas sacrificaram um cordeiro macho, sem mácula. Aspergiram um pouco do sangue nos batentes das casas. Naquela noite, comeram a carne assada no fogo. Comeram com o cinto na cintura, com os sapatos nos pés e com o cajado na mão; comeram como quem está saindo de viagem. De fato, estavam saindo da terra da escravidão para a terra da promessa. Naquela noite Deus visitou o Egito e não matou os primogênitos em cujo batente da casa havia o sinal do sangue. Um bando de escravos estava se tornando a nação organizada pelo Deus Javé, o Deus Libertador.

Deus visitou os israelitas, dizendo: “Eu sou o Senhor” (Ex 12.12).

A partir da libertação do Egito, a páscoa se tornou um rito memorial: Ex 12.14, 15, 24-27. A páscoa é uma memória da libertação do Egito. Ela deveria ser celebrada todos os anos. Todos os anos Israel se lembrariam do Deus Eu sou.

Mas, havendo Deus outrora falando aos pais pelos profetas, nesses últimos dias nos falou por meio de Jesus Cristo. Jesus é o nosso cordeiro pascal. Porque Cristo, nosso cordeiro da páscoa, já foi sacrificado (1Co 5.7b). “Antes de Abraão nascer, Eu sou”, disse Jesus (Jo 8.58). No Evangelho de João, por sete vezes Jesus afirma: “Eu sou” (por exemplo: Eu sou o pão da vida – 6.25; Eu sou a luz do mundo – 8.12).

“Eu sou o Senhor”. Essa é a declaração central do Êxodo (6.2, 6, 8). Javé é o Deus da aliança. Aliança com Abraão, Isaque e Jacó. Aliança com Israel no Egito. É o Deus da nova aliança, pelo sangue de Jesus. É o Deus que passou por entre as metades dos animais mortos. É o Deus que se comprometeu a assumir as conseqüências, caso a aliança fosse descumprida. É o Deus que assumiu sobre si o nosso pecado. É o Deus que se comprometeu a tomar o nosso jugo. É Deus que assumiu nosso lugar de escravo, paga o nosso pecado na cruz, e agora nos concede a salvação eterna. É o Deus que nos amou antes que houvesse mundo.

E você ainda duvida que esse Deus pode lhe dar a salvação eterna? Você ainda duvida de que o Evangelho seja o poder de Deus para salvar todo aquele que crê? Você ainda duvida de que a cruz seja o poder de Deus para aqueles que crêem? Você ainda duvida de que Deus seja o Deus Javé, o Deus Libertador, o Deus do êxodo, o Deus do novo êxodo, da nova aliança? Você ainda duvida de que Ele seja o Eu sou?

Infelizmente os israelitas não ouviram a mensagem do Deus Eu Sou, “por causa da angústia de espírito e da dura escravidão” (Ex 6.9 – Almeida Século XXI). A angústia e a escravidão insensibilizam o coração. Mas a libertação do Egito não dependia de quem eles eram, mas dependia exclusivamente de quem Deus é: o Deus Libertador, o Deus Eu Sou. Eles eram escravos, viviam na angústia, mas havia (e há) um Deus Poderoso, o Deus que iria intervir na história deles.

Não importa qual é o seu estado. Você sofre angústia? É escravo do pecado? Não deixe a angústia e a escravidão darem a última palavra sobre sua vida. Quando você diz: “eu sou escravo”, “eu sou oprimido”, “eu sou derrotado”, então o Senhor vem para você e afirma: “Eu Sou o Senhor”. Essa revelação divina sobrepuja todo tipo de escravidão e angústia. Confie Nele. Independente de quem você seja, lace-se sobre o Eu Sou. Porque a libertação não depende de quem você é, mas de quem Ele é. Ouça hoje essa a voz que diz: Eu Sou o Senhor.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O CONCEITO DE GRATIDÃO NOS SALMOS


Luciano R. Peterlevitz


Os estudiosos classificam os salmos em vários gêneros literários, dentre os quais estão os “salmos de ações de graças”. Curiosamente são poucos os salmos que podem ser classificados nesse gênero. Isso porque nosso conceito de gratidão talvez não condiga com a mentalidade dos autores bíblicos. Vejamos.

Salmo 100.4: Entrai por suas portas com ações de graças e nos seus átrios, com hinos de louvor; rendei-lhe graças e bendizei-lhe o nome. (ARA). O verbo traduzido por “render graça” é o hebraico yadah. Essa palavra significa essencialmente um reconhecimento (confissão pública) dos atos de Deus na história.

Segundo Claus Westermann, não existe nenhuma palavra no AT que expresse a ideia contemporânea de “agradecer”. Quando se quer expressar gratidão, usa-se o verbo yadah, “louvar”, ou berek, “abençoar” (o adorador reconhece Deus como abençoador). Westermann afirma que “o AT não possui o nosso conceito autônomo de agradecimento. A expressão de gratidão a Deus está incluída no louvor, é um modo de louvor.” 1

Por isso, a melhor tradução do termo yadah seria “confissão”: o adorador confessa os atributos e os atos de Deus na história.

A noção de ‘agradecimento’, que seria a base da ação de graças, não é habitual ao homem bíblico. Esse homem, quando beneficiário de um dom, não ‘agradece’, ele ‘louva’ (veja exemplos dessa reação em Dt 9.10; 24.13; 2Sm 14.22; Jó 31.19s.; Ne 11.11). Por outro lado, o verbo que traduções recentes traduziam por ‘dar graças’ (forma causativa hodah) significa, na realidade, louvar, apreciar, especialmente ‘reconhecer’ (comparar justamente com ‘reconhecimento’’), a saber: experimentar uma verdade abstrata já conhecida e ‘reconhecer’ toda a sua riqueza. Essa significação é demonstrada, e também ilustrada, pelos verbos que os salmistas põem em paralelo com hodah, isto é, sapper, ‘contar, enumerar, enuncia’ (Sl 9.2; 78.3-6); haggid, ‘narrar’ (30.10; 92.2s.), hallel, ‘louvar’ (33.18; 44.9; 109.30; 111.1); zammer, “cantar” (18.50; 30.5,13, etc.).2

Ou seja, na mentalidade hebraica, agradecimento se traduz em louvor. Assim, agradecer é louvar a Deus. Você quer agradecer a Deus? Então, não vá a ele com meras palavras do tipo “obrigado”, mas derrame-se diante dele em louvor e adoração.

Ora, o que é gratidão senão o reconhecimento de que não existe nenhuma possibilidade de retribuição por um benefício recebido? O que é gratidão senão o surgimento da consciência de que não podemos retribuir um benefício? Daí vem a indagação do salmista: “O que darei ao Senhor, por todos os seus benefícios?” (Sl 116.12).

Há uma estória judaica que ilustra muito bem esse conceito de gratidão. Conta-se que Abraão recebia peregrinos e os alimentava. Depois Abraão impelia os peregrinos a louvarem Adonai. Caso os peregrinos se recusassem a render graças ao Deus de Abraão, então o patriarca dizia veementemente: “Então pagas o que deves”.

Ou seja, caso você não consiga quitar sua dívida, e se a quitação da mesma lhe for oferecida, então simplesmente agradeça. Mas se não quiser agradecer, então pague. Se não puder pagar, então agradeça.

Assim, mediante tudo aquilo que o Senhor fez por você, mediante a impossibilidade de retribuição pela bênção recebida, não lhe resta mais nada, senão se prostrar diante dele em adoração. Mas lembre-se: gratidão a Deus não é um mero “obrigado”. É, antes, um coração rendido. É louvar. Por isso, atenda o convite do salmista:

Cantem hinos a Deus, o SENHOR, todos os moradores da terra! Adorem o SENHOR com alegria e venham cantando até a sua presença. (Sl 100.1-2 [NTLH]).

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

WESTERMANN, Claus. The praise of God in the Psalms. Richmond, John Knox Press, 1965.
MONHOUBOU, L. “Os Salmos” em Os Salmos e os outros escritos. São Paulo, Paulus, 1996.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

RUMO A BELÉM


Luciano R. Peterlevitz


Leia Mateus 2.1-12


Guiados por uma estrela, os magos do Oriente foram até Belém a fim de presentear Jesus. Talvez, foram eles que inventaram o hábito de presentear no natal.

Os magos vieram do Oriente, da Pérsia, ou da Babilônia, ou talvez da Arábia do Sul. A tradição afirma que eram três reis magos (Gaspar, Melchior e Baltazar). Mas a Escritura não diz quantos eram, nem quem realmente eles eram. Somente sabemos um detalhe: eles eram gentios. Vieram para Israel, anunciar que o Messias esperado por Israel havia nascido. De certa forma, cumpriu-se a profecia de Zacarias 8.23:

Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Naqueles dias, dez homens de todas as línguas e nações agarrarão firmemente a barra das vestes de um judeu e dirão: ‘Nós vamos com você porque ouvimos dizer que Deus está com o seu povo”.

Mas qual foi a atitude dos religiosos (chefes dos sacerdotes e escribas)? Eles tinham conhecimento do local do nascimento de Jesus, e até o indicaram para Herodes (Mt 2.3-6), mas eles mesmo não foram até lá. Eles eram como uma placa: indicavam o caminho, mas não seguiram o caminho. Eles conheciam as Escrituras do Antigo Testamento, mas, quando Deus as cumpriu, enviando o Messias prometido, não acreditaram. Bem diferente dos magos, que só tinham a estrela, mas creram nela!

Israel conhecia as Escrituras. Estava na terra santa. Mas foi necessário os gentios virem de uma terra distante anunciar para Israel que o Messias esperado havia nascido. Entretanto, Israel não foi para Belém. Aqueles que aguardavam a vinda do Messias não foram prestegiar o Messias quando ele nasceu.

Nós conhecemos as Escrituras. Dizemos que cremos nela. Crer na Palavra é conduzir toda a nossa vida pela Palavra. Os magos tiveram uma atitude: criam na profecia, e foram até Belém. Dizemos que cremos na Palavra, mas quando Deus nos pede uma atitude, será que atendemos à sua voz?

Os magos almejavam chegar a Belém: v.2. Eles estavam em Jerusalém, perguntando sobre Belém. Jerusalém era símbolo do messianismo judaico. Em Jerusalém, os magos encontraram-se com um rei humano, Herodes. Este rei simboliza tudo aquilo que Jesus não era. Os magos foram até o palácio de Herodes (v.7), mas os presentes que tinham não eram para aquele rei. Eles não queriam honrar as glórias desse mundo. Seus presentes eram para o menino-rei de Belém.

Os magos foram para Belém e encontraram-se com o menino Jesus. Encontraram-se com Deus. Que o natal seja um momento de encontro com Deus. Que o natal seja um momento em que a presença de Deus seja renovada em nossas vidas!

Aqueles homens viajaram milhares de quilômetros. Para que? Para receber presente? Não. Viajaram para presentear o menino Jesus, o mais novo rei nascido. E não era um rei qualquer. Era e é o Rei dos Reis.

Mas hoje muita gente viaja quilômetros e quilômetros para obter uma ‘graça’ ou uma benção. Aprendamos com os magos, que viajaram simplesmente para adorar Jesus.

Quando você dá um presente a Cristo, com isso você está dizendo: “a alegria que eu procuro não é a esperança de ficar rico com o que vem de você. Eu não vim até você por essas coisas, mas vim por você. E esse desejo eu intensifico agora e o demonstro ao entregar essas coisas, na esperança de desfrutar mais de ti, não dessas coisas. Ao dar a você o que preciso, e o que eu talvez desfrutasse, estou dizendo mais séria e autenticamente: “você é meu tesouro, não essas coisas”. (John Piper)

Os magos levaram tesouros a Jesus, e encontram o maior tesouro: Jesus, na manjedoura.

É muito bom ganhar presentes no natal. Mas eles não duram para sempre. Logo ficam velhos. Mas o presente que Jesus dá é um presente eterno, incorruptível: a vida eterna, a paz e a alegria eternas.

Há ainda outra lição que aprendemos com os magos do Oriente. Eles levaram seus tesouros ao menino Jesus. Ofereceram-lhe ouro, incenso e mirra. Muitos acreditam que cada um desses elementos representa um aspecto da Pessoa e obra de Cristo (ouro: Jesus é o Rei dos reis; incenso: Jesus é Sumo Sacerdote; mirra: Jesus é o Profeta). Entretanto, parece que Deus estava usando aqueles homens para suprir a família de Jesus na viagem que faria, logo a seguir, para o Egito, conforme lemos na seqüência do texto (Mt 2.13-15). O ouro pagaria as despesas da viagem. O incenso e a mirra eram bastante preciosos no Egito, e de fácil transporte. Os magos foram parceiros de Deus, na obra que Ele estava fazendo na terra. Portanto, o natal é uma oportunidade para demonstrar que somos parceiros de Deus nessa terra. É uma oportunidade para demonstrarmos o amor de Deus revelado no menino Jesus. É uma oportunidade para abençoar a vida de outras pessoas que necessitam de recursos para sua subsistência.

Portanto, é preciso ir a Belém. Atentemo-nos às palavras dos pastores, em Lc 2.15: Vamos até Belém e vejamos os acontecimentos que o Senhor nos deu a conhecer. A glória de Deus já havia se manifestado a eles. Mas eles ainda não sabiam exatamente o que o Senhor lhes tinha dado a conhecer. Há muitos assim também. Já sabem que a glória de Deus se manifestou. Mas ainda não foram até Belém, para se prostarem diante de Jesus, o Salvador, o Messias, o Senhor do Universo.

O que é mais emocionante no natal? É a possibilidade de irmos até Belém. Não passe esse natal sem ir até lá. Não celebre essa data sem encontrar-se com o Senhor Jesus. Que seja um momento de entregar seu maior tesouro, seu coração, para Jesus. Que seja o momento de encontrar-se com o Maior Tesouro, Cristo na manjedoura. Que seja também uma oportunidade para contribuir com os propósitos de Deus para com este mundo. Não desperdice a oportunidade de ser parceiro de Deus nessa terra.

Você quer ir até Belém?

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

MARIA, MÃE DE JESUS


Pr Luciano R. Peterlevitz – Missão Batista Vida Nova, 12/12/2010

Lc 1.46-55:

46 Então, disse Maria:

A minha alma engrandece ao Senhor,

47 e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador,

48 porque contemplou na humildade da sua serva.

Pois, desde agora, todas as gerações me considerarão bem-aventurada,

49 porque o Poderoso me fez grandes coisas.

Santo é o seu nome.

50 A sua misericórdia vai de geração em geração

sobre os que o temem.

51 Agiu com o seu braço valorosamente;

dispersou os que, no coração, alimentavam pensamentos soberbos.

52 Derribou do seu trono os poderosos

e exaltou os humildes.

53 Encheu de bens os famintos

e despediu vazios os ricos.

54 Amparou a Israel, seu servo,

a fim de lembrar-se da sua misericórdia

55 a favor de Abraão e de sua descendência, para sempre,

como prometera aos nossos pais.

Introdução

Não há dúvida de que Maria é uma das grandes personagens da Bíblia. Não podemos desmerecê-la. Mas existem vários mitos sobre ela. Um deles afirma que ela permaneceu virgem. Entretanto, a Escritura afirma: “Mas não a conheceu na intimidade enquanto ela não deu à luz um filho...” – Mt 1.25. Maria permaneceu virgem “enquanto” ela não deu à luz Jesus. Após o nascimento de Jesus, Maria relacionou-se com seu marido José, e teve outros filhos. Jesus teve vários irmãos: Mr 3.31.

Aqui em Lucas 1.46-55, lemos um cântico de Maria. Ela celebra o Senhor, por causa de sua gravidez, em especial porque ela daria à luz um menino especial, que seria o Salvador da humanidade (Lc 1.39-45). Aprendamos algumas lições de Maria, a mãe de Jesus.

1. Maria adorou a Deus como Poderoso: v.46, 49

Maria não foi mãe de Deus.

Maria engrandece ao Senhor, porque o Senhor decidiu usá-la como instrumento de salvação para a humanidade. Jesus teve duas naturezas: divina e humana. Portanto, a Bíblia diz que Maria foi mãe do Jesus, enquanto homem. Jamais diz que ela foi mãe de Deus.

Lucas 1.46-55 é um cântico de Maria. Trata-se de um gesto de adoração. Ora, como alguém pode adorar a Deus, e ao mesmo tempo ser “mãe” de Deus?

Na verdade, não foi ela quem fez algo por Deus. Foi o “Poderoso” quem fez grandes coisas para ela (v.49).

Então, o foco do natal é o Deus Poderoso. É o Emanuel, o Deus conosco. É a Ele que os magos do Oriente adoram. A centralidade da mensagem do natal não está nos anjos que anunciam o nascimento de Jesus, nem em Maria, mas em Jesus.

Portanto, o que restava a Maria? A adoração. O natal é um momento de adoração. Passar o natal sem adorar Cristo é como ir a um aniversário e não homenagear o aniversariante.


2. Maria adorou a Deus como Salvador: v.47

Maria era instrumento de salvação. O Salvador nasceu através do seu ventre. Mas a salvação não vinha dela. Ela mesma reconheceu que precisava de um Salvador: v.47. Então, o Salvador que nasceu por ela veio para salvá-la também.

Maria não era imaculada. Necessitava de salvação. Foi por isso que ela exaltou a “misericórdia” do Senhor: v.50, 54. Por isso, é um equivoco achar que Maria é “cheia de graça”, no sentido de que ela confere graça. De fato as Escrituras afirmam que ela é “agraciada” (Lc 1.28), cheia de graça. Ela é cheia de graça porque encontrou graça diante de Deus: Lc 1.30. A graça não vem dela, mas vem de Deus para ela.

Cristo recebeu o nome de “Jesus” (o Senhor salva) exatamente porque veio para salvar o seu povo de seus pecados: Mt 1.21. Jesus nasceu para morrer. Não somos salvos pelos seus ensinos ou pelo seu exemplo de vida. Somos salvos através de sua morte e ressurreição. Jesus nasce numa manjedoura para morrer numa cruz. Ele viveu à sombra da cruz. Ele morreu em nosso lugar. É o nosso substituto. A ira de Deus caiu sobre Ele, para que não caísse sobre nós. Seu corpo foi moído na cruz, a fim de que recebêssemos o perdão dos pecados e o dom da vida eterna. Por isso Ele é o Salvador, inclusive o Salvador de Maria. É o nosso Salvador.


3. Maria adorou a Deus como Aquele que exalta os humildes: v.48, 51, 52, 53.

Maria afirma que Deus se atentou à sua condição humilde: v.48. Ela reconhece que Deus humilha os arrogantes e derruba os poderosos dos tronos: v.51, 52. O Senhor mata a fome dos famintos: v.53.

O nascimento do Filho de Deus numa humilde manjedoura é um golpe mortal contra a arrogância do ser humano. O Rei dos reis merecia nascer num palácio, mas nasceu num estábulo de animais. O Criador do Universo não nasceu num berço de ouro, mas num cocho coberto de palhas.

Jesus nasceu numa manjedoura e morreu numa cruz, para mostrar que Ele, apesar de ser o Criador do Universo, sempre está disposto a ir ao lugar mais humilhante para buscar os humilhados e desprezados. Os pobres e humildes sempre encontrarão refúgio nos braços de Deus.

Saiba: por mais humilhante que seja sua situação, ninguém foi mais humilhado do que Cristo. E agora a promessa que o Senhor faz para a sua vida é essa: Humilhai-vos diante do Senhor, e ele vos exaltará (Tg 4.10).


4. Maria adorou a Deus como Aquele que cumpre as suas promessas: v.54, 55, 56.

Jesus é o Salvador, “que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.11). “Cristo” significa Ungido, Messias. Jesus é o Messias prometido no Antigo Testamento. Jesus nasceu no momento certo da história. Sua vinda foi minuciosamente planejada por Deus. As profecias do Antigo Testamento já apontavam sua vinda. E, na plenitude do tempo, Ele nasceu.

Assim, Deus cumpre a sua Palavra. A profecia do Antigo Testamento afirmava que o Messias haveria de nascer em Belém, na Judéia (Mq 5.2). Entretanto, a jovem Maria, que estava grávida de Jesus, não morava em Belém, mas em Nazaré, na Galiléia. Como o Salvador nasceria na Judéia? Mas Deus moveu a história para cumprir seus desígnios. Exatamente no tempo em que Maria estava para dar à luz, César Augusto promulgou um recenseamento, ordenando todos habitantes do império romano irem se alistar, cada qual em sua terra natal. José era de Belém. Assim precisou subir às montanhas de Belém da Judéia, onde Maria deu à luz. Deus cumpriu a profecia de Miquéias!

A Palavra de Deus não pode falhar. A profecia deveria se cumprir. Deus conduz a história para cumprir seu desígnio. Por isso podemos descansar. Porque nada foge ao controle do Senhor.


Conclusão

Maria adorou a Deus como Poderoso. Maria adorou a Deus como Salvador. Ela adorou a Deus como Aquele que exalta os humildes. Ela adorou a Deus como Aquele que move a história para cumprir as suas promessas.

Neste natal, Deus espera de nós um gesto de adoração. Uma adoração que celebre os grandes feitos do Senhor. Uma adoração que centralize Jesus como Senhor e Salvador. Uma adoração através da qual nos humilhamos diante do Senhor, quebrantando nosso coração diante Dele. Uma adoração que possibilite nosso coração descansar no Deus que controla a história para cumprir as suas promessas.